Líbano, Malvinas, Irão, Iraque, Afeganistão,...

Contra a Guerra Imperialista:

A revolução comunista mundial

* * *

Os focos de guerras imperialistas sucedem-se e generalizam-se dia após dia; os velhos conflitos persistem: Saara, Irão, Iraque, Afeganistão... e novos conflitos aparecem: Malvinas, Líbano,... Depois da reconquista inglesa das Malvinas (que não significa de maneira nenhuma o fim da guerra nesta região entre a Grã-Bretanha e a Argentina (1)), desencadeou-se uma imensa chacina, um real genocídio no Líbano com mortes e prisioneiros "de direito comum" em campos secretos em Israel. E é, como sempre, com o mais perfeito cinismo que se efectua o massacre dos proletários, sem distinção, homens, mulheres, crianças, velhos,... todos são sacrificados no altar do valor; dum lado, o Estado israelita bombardeia tudo o que está vivo no lado oposto, a OLP e consortes refugiam-se por detrás dos não-combatentes... Todos os estados do mundo são ao mesmo título responsáveis, são ao mesmo título assassinos. A natureza imunda de todas as guerras burguesas exprime-se aqui claramente, as guerras burguesas são sempre fundamentalmente, onde for que se produzem e em todos os tempos, guerras anticomunistas, guerras contra o proletariado (2). E é com grandes palavras tipo "direito dos povos", "autodeterminação", "direito à existência", "paz e liberdade",... que em todos os campos se justifica a guerra, a tortura, a barbaridade, a liquidação física e sistemática da população excedentária para o capital (3).

O proletariado para lutar contra as guerras burguesas só tem uma posição "invariável": opor à guerra imperialista, a guerra civil revolucionária contra a sua própria burguesia. A única maneira de travar a guerra imperialista é desenvolver a guerra de classe onde nos encontramos.

"A luta real contra o desencadeamento da guerra imperialista que se perfila no horizonte não se pode conceber abstractamente e unilateralmente sob a forma de acções específicas, mas através da prática e o desenvolvimento da luta internacional das classes. Ela põe perante do proletariado a tarefa concreta de subverter a relação actual das classes com objectivo a destruição do capitalismo. Á guerra, solução capitalista à crise da sociedade burguesa, o proletariado não pode senão opor a sua própria solução: a revolução, instaurando o socialismo." (Jehan - "La guerre impérialiste et les tâches de la Ligue" - 1936 - texto reproduzido na revista Le Communiste No.6)

Enquanto a solução burguesa à crise, a corrida para a guerra mundial generalizada se impõe cada vez mais nitidamente, a burguesia mundial completa os seus preparativos militares e ideológicos (4) à guerra pela multiplicação de reuniões, conferências, campanhas pacifistas, humanitárias, pelos direitos do homem, pela redução das armas nucleares,... aplicação generalizada do velho adágio: "Se tu preparares a guerra, fala de paz". E eis que aparecem, no palco do espectáculo burguês, as boas almas, os padres, os esquerdistas,... pedindo aos estados em guerra (real ou potencial) com grandes gritos: a paz, paix, peace, pax... De facto, todos estas canalhas choramingando pedem verdadeiramente aos nossos exploradores a paz, mas trata-se da paz social, da paz do capital. Choramingar no absoluto contra as guerras, contra a violência e o terrorismo, é essencialmente lutar preventivamente contra as reacções proletárias, contra o derrotismo revolucionário, negação violenta da guerra burguesa pela guerra revolucionária. A função central de toda a ideologia pacifista e assim desmascarada: trata-se de "opor" à guerra imperialista a vir, falsas soluções, a paz burguesa, o "desarmamento" bilateral (5),... que, de facto, só servem a polarizar a opinião pública entre dois lados tão imperialistas um, como outro e que, evidentemente, no dia da explosão guerreira, juntar-se-ão em coro unanimo para defender a guerra, e uma vez mais em nome da paz, da democracia, do socialismo,...

Para a burguesia, pombos e falcões, paz e guerra significam a continuidade com outras formas da mesma política anti-operária: quanto mais a burguesia consegue impor ao proletariado a paz social, mais são preenchidas as condições do desencadeamento da guerra generalizada (6). Quanto menos o proletariado luta contra o seu inimigo frontal, contra "a sua" burguesia, menos meios tem para resistir, lutar contra a guerra futura. E lutando hoje de maneira intransigente contra a desagregação permanente das suas condições de vida e de luta, que o proletariado encontra meios de opor à solução burguesa a sua própria solução de classe, a revolução comunista mundial Romper a paz social, é lutar directamente contra o capitalismo produtor permanente de guerras cada vez mais gerais, cada vez mais mortíferas O programa da burguesa mundial é claro: "Uma só perspectiva: destruições, um conflito permanente, a perda de muitas vidas." (declaração de Perez de Cuallar, secretário geral da ONU)

Antagonicamente a este programa, o proletariado afirma o seu: uma só perspectiva, responder à guerra imperialista pela luta contra o capital mundial e todos os seus estados, desenvolver efectivamente a guerra de classe, a guerra social contra a burguesia do "nosso" país, contra os Estados da burguesia do "nosso" bloco, contra os exércitos dos "nossos" exploradores e dos "nossos" assassinos directos, para a destruição de todos os estados burgueses (7).

Assim é formulada a única resposta proletária às guerras burguesas: o derrotismo revolucionário. Mas hoje como ontem, numerosas forças burguesas tentam desnaturar esta única resposta proletária seja tentando fazer combater os operários atrás de uma bandeira, qualificado de democrata, de socialista, de antifascista - grande especialidade dos esquerdistas que contra ventos e marés conseguem sempre encontrar um campo "menos mau" para apoiar (8) - seja sobre pretexto de "derrotismo new-look" recusando como Kautsky em 1915 de dar um real apelo para a derrota completa da sua própria pátria". Ontem também, as posições contra-revolucionárias exprimiam-se ate Zimmerwald (5-8 de Setembro de 1915) pela voz do pacifismo ou mais subtilmente, pelo intermédio das posições ditas "centristas" de tipo "nem vitória, nem derrota" ou ainda pela limitação de posições aos simples desejos platónicos de tipo "guerra à guerra" sem evidentemente concretizar na prática o real significado do derrotismo: a luta através de todos os meios políticos, económicos, militares,... pela derrota da "sua pátria", do "seu campo", e do "seu bloco". Lenine atacava vivamente R. Luxembourg (Junius) que não compreendia que:

"A revolução era de actualidade em 1915-1916, era incluída na guerra, nascia da guerra. Era o que se devia 'proclamar' em nome da classe revolucionária precisando até ao fim, sem medo, o seu programa, isto é: o socialismo, o qual é impossível em tempo de guerra sem guerra civil contra a burguesia super-reaccionária, criminal, que condena o povo a calamidades sem palavras. Era necessário meditar em acções sistemáticas, coordenadas, praticas, absolutamente realizáveis qualquer que tenha sido a rapidez de desenvolvimento da crise revolucionária. Estas acções estão indicadas na resolução do nosso partido: 1/ voto contra os créditos 2/ rotura da 'paz civil' 3/ criação duma organização ilegal 4/ fraternização dos soldados 5/ apoio de todas as acções revolucionarias das massas. O sucesso de todas essas medidas conduz inelutavelmente à guerra civil." (V.I. Lenine - A propos de la brochure de Junius - juillet 1916)

E hoje, de novo, poucas forças revolucionárias compreendem o real significado concreto do derrotismo, compreendem que a guerra e a derrota podem ser factores de aceleração dos antagonismos de classe e portanto da nossa solução: a revolução.

"Nós devemos mostrar aos operários como a derrota dum governo, muitas vezes na história, prestou o maior serviço ao povo que estava sujeito a este governo; a derrota anunciava a nascença da revolução, quer dizer que ela tinha consequências benéficas para toda a humanidade (...) Não se pode ser internacionalista consequente sem se ser 'derrotista'! Mais forte será o internacionalismo, mais assimilaremos esta verdade." (G. Zinoviev - Le "défaitisme" naguère et aujourd"hui - Octobre 1916 - dans Lénine, Zinoviev, Contre le courant)

É preciso ter os olhos vedados pela incúria e pelo doctrinalismo limitado para não compreender que a derrota da Argentina nas Malvinas é essencialmente devida aos importantes e maciços movimentos de classe tanto no exército que no conjunto do proletariado; que é em massa, abandonando armas, sapatos e bagagem, que os soldados desertaram, amotinaram-se e renderam-se; que cada vez mais operários não queriam mais desta "porcaria de guerra"; da mesma maneira, na Síria e na Cisjordánia, numerosas desordens sociais, motins manifestara-se pouco antes da invasão do Líbano por Israel. E, voluntariamente ou não, servir a contra-revolução que de ignorar que depois de derrotas sucessivas do exercito iraquiano, importantes movimentos classistas abrasaram o Iraque indo até a ocupação parcial de Bagdade e isto durante vários dias, confrontando militarmente o exército e a polícia em varias províncias do pais, confraternizando com os soldados iranianos e tudo isso num clima quase insurreccional (ver o Manifesto dos nossos camaradas contra a guerra Irão/Iraque nesta revista).

Nós vemos em que, se num primeiro tempo a guerra significa desarticulação, desorganização do proletariado e mesmo liquidação ideológica e física do proletariado como classe, a sua adesão ao nacionalismo, ao antifascismo ou à libertação nacional sendo uma das condições essenciais ao desencadeamento duma guerra, frequentemente, esse "esmagamento" só é relativo e temporário e chega a transformar-se num poderoso movimento revolucionário acabando uma vez por todas com todos os Estados. Foi uma situação deste género que catalisou a vaga revolucionária dos anos 1917-23. O real problema é o da relação mundial de forças entre proletariado e burguesia, entre revolução contra-revolução. E, evidentemente, essa relação de forças não é decidida uma vez por todas pelo desencadeamento duma guerra imperialista, mesmo generalizada. Como fortes movimentos de classe foram travados e transformados pela burguesia mundial em guerras imperialistas (Espanha 36, Salvador 79,...), da mesma maneira, o proletariado mundial pode conseguir transformar guerras imperialistas em guerras civís internacionais e pode fazê-lo tanto melhor que a sua vanguarda lhe dá directivas derrotistas claras. Sabemos também que, frente a importantes movimentos de classe envolvendo de facto varias nações, aparecem intervenções do capital mundial pelo intermédio de vários exércitos "estrangeiros", sendo hoje os mais especializados os americanos, franceses, soviéticos, israelitas, cubanos, vietnamitas, belgas não deixando quase nunca ao exército local muitas vezes em decomposição, o "cuidado" de reprimir. Assim o carácter eminentemente internacional do capitalismo não faz mais que reforçar o nosso internacionalismo proletário; cada vez mais, o problema se apresentará em termos dum exército burguês frente à revolução proletária mundial -com tendência da burguesia a unificar os exércitos nacionais e forças burguesas multinacionais para defender o capital mundial (9). O marxismo, explicitando as guerras burguesas como sendo fundamentalmente guerras anti-proletárias, como sendo cada vez mais a guerra entre revolução e contra-revolução, dá ao mesmo tempo a resposta à questão das guerras, as guerras não são inevitáveis, elas são produtos das sociedades de classes. Portanto, o comunismo abolirá também as guerras.

Resta aqueles, mais viciosos, que proclamando o derrotismo numa guerra, mantêm posições belicosas numa outra. As suas grandes declarações derrotistas são portanto unicamente uma nuvem de fumo para cegar os proletários que, atraídos por tão grandes declarações, encontram-se comprometidos num outro conflito burguês. Esses grupos, pelas suas declarações formais só servem de facto de recrutadores radicais para as guerras burguesas, para as guerras contra o proletariado mundial (10). Evidentemente, esse recrutamento de proletários para o massacre imperialista faz-se em nome de "guerras justas" (como se uma guerra pudesse ser justa ou injusta visto que todas servem a mesma causa: a destruição em massa de forças produtivas e portanto de proletários) ou de "libertação nacional"! E também assim com os pseudo-internacionalistas que condenam fortemente a guerra irano-iraquiana e apoiam abertamente o campo Curdo na guerra entre esses mesmos estados e os nacionalistas Curdos. Tal atitude que não é evidentemente um caso isolado nem o atributo dum só grupo desqualifica, do ponto de vista proletário, os seus defensores passados e futuros que, mesmo indirectamente se fazem os sargentos recrutadores das carnificinas imperialistas (11). A burguesia necessitará sempre, para completar o seu arsenal ideológico, que pretendidos revolucionários justifiquem as mais anticomunistas das suas acções e em particular as guerras, com uma "linguagem marxista" (roubo das formas e frases do programa comunista). O proletariado revolucionário agirá contra esses guardas da burguesia com o mesmo rigor que contra as outras fracções; os assassinos, os pacifistas tal como os seus justificadores pseudo-operários serão liquidados sem piedade.

Um outro elemento aparece da generalização das guerras imperialistas que conhecemos hoje confirmando o conteúdo invariável de todas as guerras burguesas: elas são claramente guerras de destruição, guerras de exterminação maciça de proletários. Já então, na segunda guerra mundial, com os seus cinquenta milhares de vitimas, constatou-se nitidamente que nas guerras anteriores a grande maioria dos seres humanos sacrificados eram não combatentes, civis. Que isto se passe nos campos de exterminação nazis ou como os bombardeamentos sistemáticos e democráticos de cidades como as de Berlim, de Dresde, de Hiroshima, de Nagasaki,... o alvo principal era destruir forças produtivas excedentarias e portanto seres humanos. Esta tendência à guerra "total" não fez senão acentuar-se ainda mais nitidamente. Para o capital, tudo o que vive merece perecer. Civis, não-combatentes já não existem, todos são "terroristas", "Judeus", "palestinianos",... inimigos a massacrar. A guerra já não e (como no passado) uma guerra de posições, uma guerra de frentes. As frentes já não existem porque é necessário tudo arrasar, já não existem "campos de batalha" porque o mundo inteiro tornou-se um imenso campo de batalha. Basta analisar o que resta de Salda, de Nabatieh, de Tyr, de Beirute e brevemente de Tripoli para compreender que não são quartéis ou fortalezas que são destruídas mas sim fábricas, hospitais, infantários, bairros operários,... São poupadas algumas igrejas para lembrar aos "vivos" que eles ainda lá se encontram para expiar: "Haverá uma vida antes da morte para os operários do mundo?"

O cinismo da burguesia atinge um tal ponto de horror civilizador que, cada vez mais, as armas que ela utiliza (bombas a fragmentações, bombas a neutrões, armas químicas e bacteriológicas,..) são armas que destroiem tudo o que vive (ou obrigam sistematicamente a horríveis amputações), armas que só atacam a carne humana, para deixar o mais intacto possível o tijolo, o cimento, os edifícios etc. Mais do que nunca, o capital alimenta-se de trabalho vivo para acumular sempre e mais trabalho morto,... cadáveres.

A civilização capitalista e as suas guerras atingiram o cumulo da desumanidade; só a instauração do comunismo acabará com esta corrida frenética para a barbárie e a morte.

Em conclusão, afirmamos que:

1) Desde que o modo de produção capitalista existe e portanto domina o planeta inteiro, todas as guerras, para além das ideologias para as quais o capital afirma fazê-las, são guerras contra o proletariado, todas as guerras são da mesma maneira burguesas, capitalistas, todas as guerras são contra-revolucionárias.

2) O motivo das guerras burguesas é sempre, para alem das rivalidades inter-imperialistas, a desvalorização, a queda da taxa de lucro provocando uma superprodução generalizada de mercadorias e portanto também uma superpopulação. Para a burguesia de ontem como para a de hoje, o objectivo principal é sempre o mesmo (mesmo se conscientemente, trata-se sobretudo de destruir o inimigo): é a destruição em massa de homens que o capitalismo transformou em mercadorias hoje excedentárias. Só o comunismo acabará com as guerras.

3) A burguesia deve, para fazer essas guerras, destruir o proletariado como classe, quer dizer como força actuante, como partido, para o dissolver no povo, para alistar esses cidadãos entre outros cidadãos por detrás de qualquer bandeira escondendo a face horrível do capitalismo, do antifascismo ou do fascismo, progressista ou reaccionário, democrata ou totalitarista, da conquista dum espaço vital ou da libertação nacional, da defesa do ocidente civilizado ou do anticolonialismo,... E sempre em nome da paz, da liberdade, da democracia, do socialismo,... que se amontoam os cadáveres, que tanto civis como militares são mutilados com bombas a fragmentações ou concentrados em campos para morrer.

4) O internacionalismo, resposta operária aos ataques burgueses significa a partir de hoje romper a paz social, a paz do capital, desenvolver as nossas lutas onde nos encontramos, contra os nossos exploradores directos, e tudo isto, pelo mundo todo. E respondendo sempre às degradações das nossas condições de vida que nos preparamos a nossa solução à crise burguesa: a revolução comunista mundial. É o único meio de lutar contra a solução burguesa de guerra generalizada.

5) O desencadeamento da guerra imperialista mesmo generalizada não significa necessariamente o esmagamento definitivo do proletariado. De facto, se a guerra significa num primeiro tempo um relativo esmagamento, ela pode logo de seguida dialecticamente determinar um desencadeamento ainda mais forte por ter exacerbado as contradições e a barbaridade do sistema capitalista. Para os operários revolucionários, a luta contra a guerra significa directamente o derrotismo revolucionário.

6) O derrotismo revolucionário vira as costas a todo pacifismo mesmo disfarçado e radicalizado que não vai até dar orientações concretas e precisas com vista a encorajar e agi violentamente pelo derrotismo do "seu" campo, da "sua" nação e dos "seus" exércitos. O derrotismo proletário significa, além da evidente propaganda derrotista:
- a organização da sabotagem da economia, da produção, dos armamentos, de todo o consenso nacionalista.
- a organização de toda a acção tendo como finalidade destruir tanto as convicções como o envio dos proletários para o morticínio.
- a organização da maior deserção possível.
- o encorajamento à fraternização, à revolta, ao virar das armas contra os seus oficiais.
- a acção mais decidida e mais ofensiva com vista a transformar a guerra imperialista em guerra civil para o comunismo.

7) Evidentemente, o derrotismo revolucionário não é concebivel num só lado. As orientações comunistas de sabotagem são função da natureza internacional da classe operária e dirigem-se portanto ao proletariado do mundo inteiro. O derrotismo proletário significa a luta contra "a sua burguesia" e isto, em todos os lados (12), em todos os países.

8) São cada vez mais os próprios acontecimentos e a generalização dos conflitos que irão determinar o proletariado a escolher: seja morrer pelo capital, ou viver pelo comunismo organizando-se em partido internacionalista dirigindo a revolução comunista mundial.

Camarada proletário, LEMBRA-TE

"OS PROLETÁRIOS NÃO TÊM PÁTRIA"

(Manifesto do partido comunista - 1847)

1 de Julho de 1982


Proletários de todos os Países

"A manobra de 1915 repete-se. Vocês são chamados a combaterem pela democracia contra a ditadura: na realidade, são chamados a apoiar a causa dos vossos imperialismos. (...)
No caso de não conseguirem fazer explodir estes movimentos de classe, a guerra é inevitável e a sua transformação em guerra civil só é possível através da retomada dos vossos movimentos de classe para a derrota de todos os Estados que vos terão atirado para o morticínio mundial. Disponham-se a combater contra todas as pátrias: fascista, democrática, soviética. A vossa luta é a luta para a Internacional, para a revolução. Para a vitória revolucionaria, vocês expulsarão das vossas fileiras os traidores socialistas e centristas que, quebrando a vossa frente revolucionária, prepararam já as premissas para a guerra e tomarão a direcção das forças que vos conduzirão a uma aceitação da causa capitalista: a causa da guerra. (...)
Viva a transformação da guerra imperialista em guerra civil.
Viva as fracções da esquerda comunista.
Viva a internacional e abaixo todas as pátrias.
Viva a revolução comunista mundial."
(Manifesto da Fracção italiana da esquerda comunista)

Notas

1. Sobre esta questão, nós aconselhamos o leitor interessado a ler: "Malvinas - Contra la guerra imperialista: La revolucion comunista mundial" no Comunismo No.9 e "Malouines: un pas vers la guerre mondiale" na revista Action Communiste No.6.

2. Ver o desenvolvimento dessa questão em "Les causes des guerres impérialistes" a propósito da polémica no seio da esquerda comunista dos anos '30 na revista Le Communiste No.6.

3. Esta destruição sistemática pelo capital da população excedentária e o medo do reaparecimento proletário (exemplo do bombardeamento de Berlim em 1945) são as razões fundamentais salientadas pelo marxismo revolucionário para explicar a exterminação dos milhares de seres humanos não pelos "maus nazis" ou hoje os "maus israelitas", como fazem crer os antifascistas, democratas e nacionalistas, mas pelo capital mundial. Sobre este tema, ler "Auschwitz ou le grand alibi" de Bordiga.

4. Ver o nosso texto "L"armée et la politique militaire des Etats-Unis" na revista Le Communiste No.12 e 13.

5. Sobretudo porque sabemos que historicamente, todas essas conferências, esses acordos de "não agressão",... são de facto passados para a preparação à guerra, como o demonstram o pacto entre Hitler e Estaline em 1939, os acordos de Munique,... e recentemente, os acordos de Campo David.

6. Para desenvolver mais esta questão, ler os nossos textos "On nous parle de paix" na revista Parti de Classe No.3 e "Campagnes anti-missiles, anti-nucléaires, pacifistes,... un pas vers le désarmement du prolétariat, un pas vers la guerre impérialiste généralisée" na revista Action Communiste No.5.

7. Quando falamos de "todos os Estados burgueses" retomamos ainda uma visão descritiva que analisa a burguesia mundial como organizada em múltiplos estados, eles mesmo agrupados em constelações mais ou menos movediças. É claro que esta visão corresponde à análise das contradições inter-imperialistas, das lutas inter-fracções no seio duma mesma classe mundial: a burguesia. Este tipo de análise não deve nunca nos fazer esquecer a existência duma realidade global, a existência dum estado burguês mundial manifestando a sua presença e o interesse do capital global frente ao proletariado. É de facto contra a luta internacional e internacionalista do proletariado que a burguesia consegue plenamente unificar-se, agrupar-se por detrás do seu estado mundial, fazendo assim, durante o tempo da luta contra o proletariado, calar os diferentes antagonismos inter-fraccionais totalmente desprezíveis em relação ao único perigo mortal que representa o proletariado. E assim que se pode ver frequentemente, frente à ameaça operária, a reunificação de exércitos e de Estados que no dia anterior estavam ainda em guerra aberta e que se reconciliam para esmagar as lutas operárias (ver os exemplos na Rússia em 1918-19, na Espanha em Maio de 1937,...).

8. Ver "Nous soulignons", Le Communiste No.14, sobre a tomada de posição da IV internacional trotskista e das correntes maoistas em favor da Argentina no conflito das Malvinas.

9. Esta tendência manifesta-se no facto da desmultiplicação dos exércitos presentes no "teatro das operações". No Líbano, podemos contar 1) o exército israelita 2) o exército sírio 3) o exército libanês 4) a OLP e os múltiplos exércitos anexos (não se contam menos de 30) 5) as milícias cristas falangistas de B. Gemayel 6) os exércitos da ONU-FINUL por detrás dos quais encontramos entre outros paramilitares franceses 7) o exército iranianos 8) as tropas americanas.

10. Retomando uma argumentação contra-revolucionária de Lenine e muito desenvolvida depois por todas as correntes leninistas, estalinistas, trotskistas, maoistas e hoje os "novos trotskistas" auto-proclamados bordiguistas em justificação das suas participações activas e "críticas" aos morticínios imperialistas.

11. Para aqueles que não o adivinharam, estas críticas dirigem-se ao PCI-programa comunista cujas secções na Argélia e a sua imprensa para a África do Norte -El Oumani- desenvolveram uma intensa campanha de apoio às guerras imperialistas ditas de "libertação nacional", tanto ontem na Argélia, no Vietname ou no Cambodje,... como hoje na Eritréia, no Curdistão, no Líbano onde este grupo apoia, evidentemente "duma maneira crítica", o "povo palestiniano" e portanto a burguesia e o seu Estado, a OLP. O PCI-programa comunista tem o mesmo papel contra-revolucionário de recrutadores críticos radicais,... que os trotskistas dos anos 30 (ver o nosso texto: "le trotskysme: produit et agent de la contre-revolution" na revista Le Communiste No.8).

12. "Portanto, sabotar um só dos dois militarismo não quer dizer ajudar o outro mas sabotar os dois, sabotar o seu principio histórico comum, o seu meio de conservação e de dominação." (Bordiga - "Os ensinos da história recente" - 1918)


OL.PO.2.2 Contra a Guerra Imperialista:
A revolução comunista mundial